PRP e SVF nas articulações: expectativas realistas e controlos por fase
Quem procura tratamentos com PRP ou SVF para uma articulação dolorosa encontra muitas promessas e poucos prazos concretos. A verdade é mais útil do que o entusiasmo: o que se pode esperar depende sobretudo da fase em que a articulação está e de acompanhar a evolução com calma. Este guia explica como a fase muda a escolha do método, o que costuma acontecer nos meses seguintes e quando a resposta honesta é outra, para quem está em Portugal e pondera um tratamento em Moscovo.
Porque é que a fase da doença muda tudo
Uma articulação com desgaste ligeiro e uma articulação em que a cartilagem quase desapareceu não são o mesmo problema em graus diferentes. São situações com possibilidades diferentes.
O PRP e a SVF são tratamentos regenerativos sem cirurgia, feitos com material do próprio doente. Trabalham melhor nas fases inicial e moderada, quando ainda há tecido que pode beneficiar de melhores condições de reparação. Numa fase avançada, o médico deve dizer com franqueza se a substituição da articulação é a opção mais realista.
Isto aplica-se a várias articulações: anca, ombro, cotovelo, tornozelo, mão e punho, além do joelho. Também se aplica a situações diferentes da artrose, como lesões, recuperação depois de traumatismos ou cirurgias, necrose avascular e doenças inflamatórias das articulações.
A fase não se adivinha pela dor. Há quem tenha muita dor com alterações ligeiras e quem tenha pouca com alterações avançadas. Por isso o ponto de partida é sempre a imagem: radiografia, ressonância magnética ou ecografia. Guarde os relatórios e, se possível, as próprias imagens em formato digital; vão ser precisas na primeira avaliação, seja em Portugal ou no estrangeiro.
Fase inicial: o que costuma ser possível
Na fase inicial, o objetivo é acalmar a inflamação e criar melhores condições para o tecido se reparar. É aqui que o PRP aparece com mais frequência.
O PRP, ou plasma rico em plaquetas, obtém-se a partir de uma pequena quantidade de sangue do doente. Concentra plaquetas e fatores de crescimento e é injetado na articulação. Pode ser feito como um ciclo de injeções isoladas ou combinado com SVF, e é frequentemente usado na artrose ligeira.
Expectativas razoáveis nesta fase:
• menos dor nas atividades do dia a dia;
• menos episódios de inflamação;
• mais confiança para manter exercício e fisioterapia.
Expectativas pouco razoáveis:
• uma articulação como nova;
• dispensar para sempre o exercício e o controlo do peso;
• um efeito imediato no dia seguinte.
O PRP não substitui os cuidados de um reumatologista quando há uma doença sistémica, e não se faz durante uma infeção articular ativa nem numa crise inflamatória grave. Nesta fase, a injeção funciona melhor como parte de um plano que inclui movimento, fortalecimento muscular e gestão da carga sobre a articulação.
Fase moderada: quando entra a SVF
Quando as alterações na articulação são mais marcadas, e o objetivo é um efeito mais duradouro, a escolha tende a passar pela SVF.
A SVF, ou fração vascular estromal, é uma mistura de células envolvidas na reparação dos tecidos, isolada a partir de gordura do próprio doente. Recolhe-se uma pequena amostra de tecido adiposo, cerca de 30 ml, com anestesia local, através de uma punção no abdómen ou na face interna da coxa, sem pontos. O material é processado numa centrífuga e misturado com o plasma.
Na artrose, a SVF é usada sobretudo nas fases inicial e moderada. A diferença em relação ao PRP não é apenas a intensidade: é também a origem do material e o objetivo de duração.
O dia do procedimento é simples do ponto de vista do doente. Tudo decorre num só dia, todas as injeções são feitas sob controlo ecográfico, não há internamento e não são necessárias muletas. Para quem viaja, isto simplifica muito a logística, embora a duração total da estadia deva ser combinada com o coordenador, porque depende do plano individual.
Os controlos ao fim de um, três e seis meses
Depois da injeção, a avaliação faz-se em três momentos: ao fim de um mês, de três meses e de seis meses. Saber o que costuma acontecer em cada um ajuda a não desanimar cedo demais nem a esperar demasiado.
O padrão habitual é este:
• primeiro mês: a dor costuma diminuir;
• cerca de três meses: a mobilidade costuma melhorar;
• cerca de seis meses: o efeito completo costuma desenvolver-se.
São tendências, não promessas. A resposta varia de pessoa para pessoa e de articulação para articulação.
Para tornar estes controlos úteis, registe a evolução de forma simples. Uma nota semanal com a dor de 0 a 10, a distância que consegue caminhar, se sobe escadas sem apoio ou se consegue levantar o braço acima da cabeça vale mais do que uma impressão geral. Leve estes registos às consultas de controlo, presenciais ou online.
Se ao fim de três meses não notar qualquer mudança, diga-o claramente. É informação importante para o médico decidir se o plano deve ser ajustado ou se o caminho é outro.
Quando a resposta honesta é outra
Há situações em que o PRP e a SVF não são a escolha certa, e conhecê-las evita uma viagem inútil.
As contraindicações incluem cancro, gravidez e amamentação, perturbações da coagulação, infeções agudas, incluindo dentro ou perto da articulação, agravamento de uma doença crónica grave e doença cardíaca, renal ou hepática grave. Febre, constipação ou gripe e inflamação da pele sobre a articulação obrigam apenas a adiar.
E há a fase avançada. Quando a cartilagem está muito destruída, a substituição articular pode ser a opção mais realista, e um médico sério diz isso logo.
A forma mais simples de saber em que ponto está é pedir uma avaliação antes de viajar. A City Medical Centre, em Moscovo, analisa gratuitamente radiografias, ressonâncias e ecografias enviadas antes da visita, e descreve o método na sua página sobre tratamento articular para pacientes de Lisboa. A primeira consulta é gratuita e pode ser feita online. Os preços não estão publicados no site, por isso o custo deve ser perguntado ao coordenador. Seja qual for a decisão, um diagnóstico feito por um médico é sempre o primeiro passo.













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